sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O pintor que escrevia



Hoje concluí um trabalho acadêmico sobre a escritora Letícia Wierzchowski. Inicialmente, como todos os trabalhos acadêmicos, tinha a intenção de efetuar uma leitura crítica dentre dos aportes teóricos oferecidos na disciplina que cursei durante o semestre sobre Teoria Literária, no entanto percebi que a questão possuía desdobramentos mais espinhosos por se tratar de uma obra ficcional de uma autora considerada como literatura de massa. Essa categorização na academia proporciona olhares bastante enviesados e críticas ferrenhas.
Esse posicionamento se sustenta pelo estatuto da literariedade, o qual muitos críticos esquecem que esse barema possui um caráter paradoxal por estabelecer o valor de determinada obra apoiados em critérios técnicos pré-estabelecidos, mas critérios esses que perpassam por paradigmas construídos por subjetividades ideológicas.
Sem a intenção de desconstruir a importância desse critério de julgamento e muito menos estabelecer a última palavra, defendo a ideia de que a leitura de um livro deve se apoiar naquilo que ele pode proporcionar ao leitor e não simplesmente no que ele poderia. Além disso, a leitura envolve um elemento muito particular: o gosto pessoal. Dessa forma, sinto-me a vontade para expressar aqui o meu prazer em conhecer essa obra de Letícia e curtir uma história envolvente  para uma tarde de folga das atividades do dia-a-dia.
Nesse romance acontece um suicídio sem um motivo aparente, de um pintor casado com uma mulher sempre descrita como bela, daí surge a tensão da história. Temos também a figura de uma sogra megera e a presença de um marchand que incrementa a história através de suas buscas para revelar o segredo que está por trás da história dessas intrigantes personagens. Esse é foco central do romance e, de certa forma, o elemento envolvente do livro: O pintor que escrevia amor e pecado. Esta obra da escritora em questão narra em dois capítulos temporais o seu enredo: o primeiro em setembro de 1958; depois em abril de 1978 na Serra Gaúcha no Rio grande do Sul. Dentro dessa atmosfera, fica suspensa a razão pela qual instigou o suicídio. O desvendar desse mistério é conduzido por Augusto e Zeca que vão para o sítio da família, o qual fora abandonado pela esposa (Amapola) logo depois da tragédia do marido; e descobrem que, atrás de cada quadro, há um texto escrito pelo artista plástico, que relata diversos momentos de sua vida com Amapola “pintada” de amor, interdições, silêncios e mistérios.
Boas leituras.

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