terça-feira, 2 de novembro de 2010

Gonçalves Dias

       Antônio Gonçalves Dias nasceu em 1º de agosto de 1823, nos arredores de Caxias, no maranhão. Filho de português e “mestiça” (índio/negro), após a morte do pai é enviado pela madrasta, em 1828, para Coimbra para estudar direito. Quando formado, em 1844, retorna a sua terra natal e lá conhece Ana Amélia Ferreira do Vale, que dizem ser a inspiração para a composição do poema “Ainda uma vez — adeus?”: 
Ainda Uma Vez Adeus
                      I
Enfim te vejo! - enfim posso,
Curvado a teus pés, dizer-te,
Que não cessei de querer-te,
Pesar de quanto sofri.
Muito penei! Cruas ânsias,
Dos teus olhos afastado,
Houveram-me acabrunhado
A não lembrar-me de ti! 
 

                      II
Dum mundo a outro impelido,
Derramei os meus lamentos
Nas surdas asas dos ventos,
Do mar na crespa cerviz!
Baldão, ludíbrio da sorte
Em terra estranha, entre gente,
Que alheios males não sente,
Nem se condói do infeliz! [Poema completo clique aqui]

Em 1847 já no rio de Janeiro, publica os Primeiros Cantos e dedica-se ao magistério com as disciplinas de latim e história do Brasil no Colégio Pedro II, e ao jornalismo (na revista Guanabara), volta a Europa para estudos. “Faleceu no seu regresso ao Brasil em 21 de janeiro de 1864, quando o navio em que viajava, o Ville Boulgne”, naufragou nas costas do Maranhão, deixou sua literatura registrada em:
Primeiros Cantos; Leonor de Mendonça — teatro —(1847); Segundos Cantos e Sextilhas de Frei Antão (1848); Últimos Cantos; Os Timbiras (1857); Dicionário da Língua Tupi; Obras póstumas — 6 volumes— (1868 -1869).
            Gonçalves Dias é considerado o primeiro poeta autenticamnete brasileiro, e também nosso primeiro poeta romântico na ordem histórica  e um dos maiores do século XIX na ótica de Massaud Moisés.
Primeiros Cantos
Data de 1846, mas é 1847 que o livro passa a ser comercializado. Os poemas estão reunidos em três partes: poesias americanas, hinos e poemas diversos, cuja temática e linguagem são essencialmente românticas. O lirismo amoroso, o saudosismo ao lado do indianismo — característicos do romantismo brasileiro. No prólogo, da primeira edição em julho 1846. Gonçalves Dias atenta para os leitores os traços marcantes do seu estilo que perpassa pela liberdade formal, imaginação e valorização do indivíduo, de suas contradições e das emoções particulares e circunstâncias.
Dentro dessa obra destacaremos a Canção do Exílio e o Canto do Piaga. Essas duas produções gonçalvianas exemplificam o caráter indianista presente em sua produção literária. Na qual, com diz Antônio Cândido, “ele procura nos comunicar uma visão geral do indígena, por meio de cenas ou feitos ligados à vida de um índio qualquer, cuja identidade é puramente convencional e apenas funciona como padrão [...] mas ricos de sentido simbólico”.
Na canção de Exílio temos como Apresenta Roncari: Gonçalves Dias já não é o homem culto, discreto, no meio rústico, sentindo-se exilado na própria terra. É agora o homem culto nascido nos meios rústicos, sentindo-se exilado na Europa, a comprá-la nostalgicamente com sua terra, da qual ressalta os elementos representativos e simbólicos da sua rusticidade: palmeiras e sabiás.
Já no Canto do Piaga[ poema completo clique aqui], o pajé decifra a ameaça que a chegada dos portugueses representa; demonstrando, dessa forma, a ruína e destruição de grande parte da população autóctone, temos aí a intenção de representação da perspectiva do índio em relação do processo de colonização.
Segundos Cantos
Foi publicado m julho de 1848 juntamente com Sextilhas de Frei Antão — ensaio considerado filológico devido à linguagem trovadoresca utilizada pelo poeta. Nessa obra destacaremos o poema A noite que se caracteriza por ter a natureza por inspiração e tema comum em Gonçalves Dias. Nesse poema, o autor faz um engenhoso jogo de imagens e sonoridade, enfim, uma demonstração de sua relação com o lirismo.
Novos Cantos
            Os poemas reunidos sob o título de Novos Cantos vieram ao público pela primeira vez em 1857. Destacaremos dessa obra o poema: Se se morre de Amor, pois, como é divulgado, tem como musa inspiradora Ana Amélia, que de acordo com estudiosos da biografia e da obra de Dias foram escritos logo depois da recusa ao pedido de casamento e imediatamente após um serão em que as senhoras da alta sociedade contestavam que o amor pudesse matar.
Últimos Cantos
            Foram publicados pela primeira vez em 1851 os poemas reunidos sob os títulos: Poesias Americanas, Poesias diversas e Hinos. Esses poemas contemplam a temática indianista, o lirismo amoroso característico de Gonçalves Dias. Com destaque para Juca Pirama, pois recoloca para consideração do leitor a prática indígena que mais contribuía para categorização de bárbaro e/ou selvagem: o ritual antropofágico. No poema, o ritual é apreciado pela própria “vítima”: o guerreiro Tupi, que foge à morte preocupada com a sobrevivência do pai e não para salvar sua pele  do ritual, que na perspectiva indígena é honroso.
Obras póstumas
            Em 1968 são reunidos poesias, traduções, textos teatrais e estudos etnográficos do autor.  Dentro deles temos um texto teatral intitulado Leonor de Mendonça, escrita em 1846 e publicada pela primeira vez em 1847. O assunto central da peça é fruto da pesquisa da história genealógica da casa real portuguesa 9 A vida do duque Dom Jaime). Nela é apresentada a história infeliz da duquesa que envolvida numa suspeita de adultério, foi assassinada com seu suposto amante, a mando do seu marido Dom Jaime (duque de Bragança).
Fontes
BRAIT Beth. Literatura Comentada de Gonçalves Dias. São Paulo: Abril Educação, 1982.
RONCARI, Luiz. Literatura brasileira : dos primeiros cronistas aos ultimos romanticos. Sao Paulo: EDUSP, 1995.




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