terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Modernismo (1922-1960)

Iniciou-se no Brasil com a SAM (Semana de Arte Moderna) de 1922, mas nem todos os participantes da semana eram modernistas: o pré-modernista Graça Aranha foi um dos oradores. Apesar de não ter sido dominante no começo, como atestam as vais da platéia da época, este estilo, com o tempo, suplantou os anteriores. Era marcado por uma liberdade de estilo e aproximação da linguagem falada; os de primeira fase eram falada; os de primeira fase eram especialmente radicais quanto a Ito. Didaticamente, divide-se o Modernismo em três fases: a primeira fase, mais radical e fortemente oposta a tudo que foi interior, cheia de irreverência e escândalo; uma segunda mais amena, que formou grandes romancistas e poetas; e uma terceira, também chamada de pós-modernismo por vários autores, que se opunha de certo modo a primeira e era por isso ridicularizada com o apelido de neoparnasianismo.

Referências históricas

Início do século XIX: apogeu da Belle Époque. O burguês comportado, tranqüilo, contando seu lucro. Capitalismo monetário. Industrialização e neocolnialismo.
Reivindicações de massa: Greves e turbulências sociais.
Progresso científico: eletricidade. Motor a combustão: o automóvel e avião.
Primeira Guerra Mundial (1914 a 1918).
Arte moderna: Inquietação. Nada de modelos a seguir. Recomeçar. Rever. Reeducar. Chocar. Buscar o novo: multiplicidade e velocidade, originalidade e incompreensão, autenticidade e novidade.
Vanguarda: estar à frente, repudiar o passado e sua arte. Abaixo o padrão cultural vigente.

Primeira fase Modernista (1922 – 1930)

Caracteriza-se por ser uma tentativa de definir e marcar posições. Período rico em manifestações e revistas de vida efêmera. Um mês depois da SAM, a política vive dois momentos importantes: eleições para Presidência da República e congresso (J) para fundação do partido Comunista no Brasil. Ainda no campo da política, surge em 1926 o partido Democrático que teve entre seus fundadores Mario de Andrade.
É a fase mais radical justamente em conseqüência da necessidade e do rompimento de todas as estruturas do passado. Caráter anárquico e forte sentido destruidor.

Características

  1. Busca do moderno, original e polêmico; nacionalismo em suas múltiplas facetas. Volta às origens e valorização do pindio verdadeiramente brasileiro.
  2. “Língua brasileira” – falada pelo povo na ruas.
  3. Paródias – tentativa de repensar a história e a literatura brasileiras.
  4.  Nacionalismo crítico, consciente, de denúncia da realidade, identificado politicamente com as esquerdas.
  5. Nacionalismo ufanista, utópico, exagerado, identificado com as correntes de extrema direita.

Autores

Cassiano Ricardo (1895- 1974)
Paulista, Cassiano deixou uma obra marcada pelas tendências de seu tempo sem, entretanto, deixar um estilo próprio. Iniciou-se sua carreira com Dentro da Noite (1915) neo-simbolista, passou por tendências parnasianas em A Flauta de Pã (1917), para integra-se ao Verde- Amarelismo com Vamos Caçar Papagaios (1923). Com o formalismo de 45, torna-se meditativo e melancólico. Em 1960, entra para a corrida vanguardista com experimentalista e franca adesão ao Concretismo.

Guilherme de Almeida (1890 – 1960)

Sempre se ajustou aos padrões e foi disciplinado, com mestria sobre a língua e seus dispositivos técnicos.

Manuel Bandeira (1886-1968)

É uma das figuras mais importantes da poesia brasileira e um dos iniciadores do Modernismo. Do penumbrismo pós-simbolistas de A cinza das Horas às experiências concretas da década de 60 de composições e, a poesia de Bandeira destaca-se pela consciência técnica com quem manipulou o verso livre. Participa indiretamente da SAM, quando Ronald de Carvalho
declama seu poema Sapos:

Mário de Andrade (1893-1945)

Um dos organizadores do Modernismo e da SAM, foi o que apresentou projeto mais consistente de renovação. Começou escrevendo críticas de arte e poesia (ainda parnasiana) com o pseudônimo de Mário Sobral. Rompeu como Parnasianismo e passado com o livro Paulicéia Desvairada e a Semana de arte Moderna, da qual participou ativamente.
Inventou em tudo que fez um senso de problemático brasileirismo, daí sua investida no folclore. De jeito simples, sua coloquialidade desarticulou o espírito nacional de uma montanha de preconceitos arcaicos. Lutou sempre por uma literatura brasileira e com temas brasileiros.
“O passado é lição para se meditar e não para se reproduzir” – afirmava assim a necessidade de um presente novo, inventivo. Acreditava na arte como instrumento de debate e de combate, comportamento evidenciado em Paulicéia Desvairada. Esta obra oferece uma panorâmica da cidade e de sua vida, ao criticar a mania obsessiva de posse, aqui também satiriza a incompetência dos administradores.
Clã de Jabuti resulta da viagem de descoberta do Brasil, numa aproximação como folclore como fonte de criação poética. Apoiando-se nas tradições populares brasileiras, utiliza a toada, o coco, a moda, o samba para sustentar seus poemas.
Seu primeiro romance é Amar, verbo Intransitivo que penetra na estrutura familiar da burguesa paulista, sua moral e seus preconceitos. Aborda, ao mesmo tempo, os sonhos e a adaptação dos imigrantes na agitada Paulicéia.
Já em Macunaíma, Herói sem enhum caráter, cria um anti-herói com um perfil indolente, brigão, covarde, sincero, mentiroso, preguiçoso, malandro, otário, multifacetado. Inspirando-se no folclore indígena da Amazônia, mesclando a lendas e tradições das mais varias regiões do Brasil, constrói-se um herói que encarna o homem latino-americano. Macunaíma é uma figura totalmente fora dos esquemas tradicionais da prosa de ficção, uma aglutinação de alguns possíveis tipos brasileiros. Sempre na defesa, Macunaíma começa comendo terra e acba sendo comido pela terra.


Oswald de Andrade (1890 -1853)

Foi poeta romancista, ensaísta e teatrólogo. Figura de muito destaque no Modernismo brasileiro, ele trouxe de sua viagem a Europa o futurismo.
Foi um dos principais artistas da Semana de Arte Moderna e lançou o movimento Pau-Brasil e Antropofagia, corrente que pretendia devorar as culturas européia e brasileira da época e criar um verdadeira cultura nacional.
Sua obra é marcada por irreverência, coloquialismo, nacionalismo, exercício de demolição e crítica. Incomodar os acomodados, estimular o leitor através de palavras de coragem eram constantes preocupações desse autor.
Depois de participara da Semana de Arte Moderna viaja à Europa e o diário de bordo destas viagens é o romance cubista Memórias Sentimentais de João Miramar, que os críticos chamaram de prosa telegráfica. Este romance caleidoscópio inaugura, no nível da prosa a tendência antinormativa da literatura contemporânea, rompendo os modelos realistas. Seus 163 fragmentos registram a trajetória do brasileiro rico de todos os tempos: Europa – casamento- amante – desquite - vida literária – apertos financeiros - ...
Falido economicamente, Oswald de Andrade vais se pendurar nos “reis da vela”, os agiotas do beco do escarro (zona bancaria de SP). Com isso, o autor vai recolhendo matéria para sua peça O Rei da Vela.

Obras principais:
Poesia
Pau-Brasil (1925)
Primeiro Caderno de Poesia do aluno Oswald de Andrade (1927)
Poesias Reunidas (obra póstuma).

Romances
Os condenados (I – Alma, II Estrela do Absinto, III A escada, 1922 a 1934).
Memórias sentimentais de João Miramar (1924)
Serafim Ponte Grande (1933)
Marco Zero (I – A revolução Melancólica, II Chão, 1943 a 1946).
Manifesto Pau Brasil (1925)
Manifesto antropofágico (1928)
A Arcádia e a Inconfidência (1945)
Ponta Lança (1945)
A crise da Filosofia Messiânica (1946)
A marcha das Utopias (1966)

Teatro
O homem e o cavalo (1934)
O Rei da Vela (1937)
A morta (1937)
Um home sem profissão (1954)

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