domingo, 31 de outubro de 2010

Nossa vida não cabe num Opala

É um filme tenso, às vezes com um humor despretensioso. É o primeiro longa do premiado do diretor de curta Reinaldo Pinheiro, sem contar com o elenco de peso que compõe o filme como, por exemplo: o Primogênito Monk representado pelo ator Leonardo Medeiros que atingiu sua melhor forma cênica nesta película; também não podendo deixar de comentar o espirituoso Lupa representado pelo grande Milhem Cortaz. O enredo é composto pelo patriarca de uma família de classe média baixa (os Castilhos) que morre, mas não reconhece essa sua morte e, por vez, começa a dar conselhos aos seus quatro filhos e três deles têm uma profissão “pode-se dizer assim” um tanto quanto peculiar: ladrões de carro e para ser mais preciso Opalas, já a quarta filha é uma instrumentista que presta sua arte tocando músicas ditas “bregas” em uma churrascaria no subúrbio Paulista. A meu ver, o filme é umas das melhores mostra do cinema nacional contemporâneo, pois é composto de temas instigantes e polêmicos como a degradação familiar, violência e marginalidade. Além disso, tem um grande clima realista, onde em vários momentos nós sentimos em uma obra de Nelson Rodrigues, ou em um filme da retomada Italiana, então uma boa pedida para ser apreciado o novo cinema novo.

Por: J. Leandro (Léo Silva) 

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

As 120 grandes obras da Literatura Brasileira (seleção do Prof. Alfredo Bosi)


          O Museu da Língua Portuguesa,em São Paulo, pediu ao professor e acadêmico Alfredo Bosi uma lista de 120 grandes obras da Literatura Brasileira. Essa seleção foi feita em dezembro de 2005. Se você deseja conhecer melhor o Brasil, construir sua cultura literária, buscar emoções duradouras, comece logo a ler estes textos! A lista apresenta os livros “obrigatórios” para qualquer interessado em se aprofundar em nossa língua e cultura.

domingo, 24 de outubro de 2010

De volta à caixa de abelhas - Kátia Borges








Kátia Borges nasceu em 1968, em Salvador, Bahia, Jornalista(graduada pela UFBA) mestre em Teoria e Crítica da Literatura e da Cultura pela Universidade Federal da Bahia, atua no jornal A tarde, no qual é editora da revista dominical "Muito" que aborda arte e cultura; já publicou Além de " De volta Á caixa de abelhas", em 2002, Ticket Zen, o qual foi vencedor do edital 2008 de literatura da Secretária de Cultura da Bahia e Fundação Pedo Calmon e "Uma Balada para Janis" (2009).
Em " De volta à caixa de abelhas" temos um livro de poemas que contempla muito lirismo, intertextualidade, metalinguagem combinados com experiências de quem faz da literatura uma caixa de encanto e magia com as palavras.
Quanto a seu lirismo percebemos a tendência utilizada pelos modernista que se apoiam numa composição lírica nada comedida:

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Imagens

Quero esquecer-te!
Mas bato-me nas lembranças
E recuo... Não!
Quero tua luz,
Teu calor
Ou o simples adormecer nos braços de prazer


Certeza de que não terei,
Mas, ainda assim,
A singela imagem daquelas fecildades...
Fazem-me viver.

Bento Teixeira: autor barroco?!


           
           
Quando pesquisamos sobre Bento Teixeira Pinto tanto nos manuais literários como nos sites destinados ao assunto encontramos quase que unanimemente a informação de que esse escritor Pernambucano do século XVI representa o marco do Barroco Brasileiro através da sua unitária obra Prosopopéia publicada em 1601, isso quando o nome do autor não é ignorado ou meramente citado sem muitas considerações acerca de sua produção literária. Essa obra Bento Teixeira constitui-se de um poemeto de 94 estrofes com 752 versos em oitava-rima de conteúdo encomiástico, ou seja, com a intenção de apresentar louvores a outrem. O objeto do gabo poético foi o então governador de Pernambuco Jorge Albuquerque Coelho. Objetivo esse demonstrado logo nos primeiros versos do poema e justificado pelo seu interesse de ser absolvido por práticas judias pela autoridade política da época, além da acusação de assassinato de sua esposa:
                     I
Cante poetas o pode r romano,
Submetendo nações ao jugo duro,
O Mantuano pinte o Rei Troiano,
Descendo a confusão do Reino escuro;
Que eu canto um Albuquerque soberano,
Da fé, da carta Pátria firme muro,
Cujo valor, e ser, que o Céu lhe inspira,
Pode estacar a lácia e grega lira.

            No entanto, mesmo sendo sua obra considerada percussora do Barroco brasileiro, ela destoa das características dessa literatura que foi produzida pelos escritores barrocos largamente conhecidos: Gregório de Matos e padre Antônio Vieira. Bento Teixeira na verdade se aproximando muito mais dos traços quinhentista do que o barroco, pois em sua construção poética utiliza como inspiração de forma e temática os Lusíadas de Camões. Na obra Camoniana o conteúdo é direcionado
 Dessa forma, ele compõe uma produção muito mais voltada ao humanismo quinhentista do que o conflito entre o antropocêntrico e teocêntrico do seiscentismo. Essa categorização acontece por conta das divisões temporais que são estabelecidas por estudiosos com fins didáticos para uma sistematização de obras e autores numa tentativa de melhor análise, porém os acontecimentos históricos e os estilos de época, nem sempre correspondem de forma tão categórica e linear como é apresentada pelos manuais, sendo complexo, por muitas vezes, delimitar linhas temporais de transição de um estilo literário para o outro. Com isso temos uma obra como de Bento Teixeira que foi publicada do século XVI (período demarcado como seiscentista), mas que possui no seu bojo os pilares de influência do século XV (quinhentismo).