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segunda-feira, 18 de março de 2019

Um rolé no Pelô: O Narrador no conto Cisco, de Fábio Mandingo




Por Joelson Santiago Santos[1]

O narrador do conto Cisco, de Fábio Mandingo, na coletânea Salvador negro rancor (2014), apresenta a perspicácia de um observador experiente, crítico-minimalista que fotografa cenários, personagens e cenas de uma Salvador contemporânea, sem adornos, sem rótulos ou sem o romantismo amadiano. Ao perscrutar o texto de Mandigo, encontra-se uma cidade vista e vivenciada por um narrador que transita um universo esquecido, omitido ou pouco representado em nossas letras, mas real no cotidiano da população negra, pobre e periférica da cidade da Bahia.


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Um (Im)Pacto de amor: Uma leitura do conto “Amor Cristão” de Marcelino Freire


Por
Joelson Santiago Santos 


A literatura, em suas performances, (re)inventa histórias, realidades e conceitos.  A acepção de amor é uma dos motes preferenciais de diversos textos literários e matéria de composição de vários artistas. O escritor pernambucano Marcelino Freire (1967-), na coletânea de contos Rassif: mar que arrebenta, 2008, mais especificamente no conto “Amor Cristão” delineia uma definição de amor avessa, inversa, paradoxal, periférica às recorrentes significações registradas no universo das letras e das artes.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Gabriela na telinha e o “peso” do autor

Por Aline Greice Vilela Costa e Joelson Santiago
           
            O ano de 2012 foi marcado por homenagens realizadas para o eterno Amado. Entre elas, um remake da telenovela Gabriela exibida pela Rede Globo. A primeira versão em vídeo-tape (1975) chama atenção por evidenciar, em seu material publicitário impresso, a intérprete de Gabriela: Sonia Braga, sem fazer referência ao autor da obra literária em cartazes de divulgação. Na publicidade da segunda, apresenta-se como uma homenagem ao centenário de um dos maiores escritores do Brasil, citando-o na primeira linha da chamada.  

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

“AS MARGENS DA ALEGRIA” E “OS CIMOS”: MOLDURAS DE UM ITINERÁRIO METAFÍSICO

Fonte da imagem aqui

RESUMO

O presente trabalho tem por objetivo analisar o recorrente tema viagem presente na literatura, encontrado nos contos: “As margens da alegria” e “Os cimos”, de Guimarães Rosa, publicados em Primeiras Estórias (1962). Essa temática perpassa por diferentes acepções e até mesmo transcende as dimensões físicas e, dessa forma, assumindo várias significações, sentidos e implicações como acontece nos contos de Guimarães que serão analisados à luz da fortuna crítica da sua obra.

Texto completo aqui

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Música de qualidade para os pequenos


Imagem do projeto Pequenos Brilhantes de Jair de Oliveira
Jair de Oliveira, Adriana Calcanhoto, Pato Fu, Arnaldo Antunes com Edgar Scandurra, o quem têm em comum entre esses artistas nas suas produções musicais, além da qualidade dos seus trabalhos?
            Ambos buscaram inspiração e/ou uma pesquisa para compor uma obra musical que contemplasse o maravilhoso e fértil tema do universo infantil. É claro que eles são os únicos músicos nacionais na atualidade que trabalharam  com essa temática, mas o que os diferenciam dos demais são o engenho e a  arte dedicados na composição dos trabalhos voltados para a crianças dentro do mesmo nível de qualidade das suas composições para o público adulto.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Documentário de Dilma Loés

Quando o Crioulo Dança é um curta lançado em 1989 e dirigido por Dilma Lóes. O Filme é um documentário que mescla imagens ficcionais, entrevistas, manifestações e protestos do movimento negro no Brasil, com o intuito de mostrar as diversas formas que o racismo se manifesta em nossa sociedade, por meio de atitudes, de comportamentos, de opiniões ou pelos índices de desigualdade social.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Literatura e televisão: um casamento condenável? Uma leitura de O pintor que escrevia amor e pecado de Letícia Wierzchowisk

O presente trabalho tem como foco analisar o processo de recepção da O pintor que escrevia amor e pecado da escritora Letícia Wierzchowski, que possui uma de suas obras literárias adaptadas para televisão. Nesse sentido, buscar-se-á entender a contribuição da influência midiática sobre um determinado escritor e no seu sucesso diante do público, como também o posicionamento da crítica especializada frente a esse tipo de situação.






quinta-feira, 17 de março de 2011

Uma discussão sobre cânone a partir da crítica na produção literária de Jorge Amado

Por Joelson Santiago Santos
  A crítica e o cânone: Correlações
Na fala de Harald Bloom (pesquisador que se tornou bastante reconhecido e polêmico por conta de sua abordagem de defesa de uma crítica literária elitista e desvinculada de questões sócio-culturais) verificada no texto: Uma elegia para o Cânone temos uma abordagem fechada sobre a formação canônica ocidental, no sentido de tentar defender uma base totalizadora, inquestionável e inabalável do ponto de vista de sua formação. Sendo essa visão pautada no valor estético de uma obra e do crítico literário com um ser de sensibilidade artística e intelectualidade superior aos demais leitores.

sábado, 12 de março de 2011

Ricardo Reis: o elemento clássico de Pessoa

O homem considerado com um ser múltiplo e consciente da sua temporalidade são questões muito vinculadas na produção literária da modernidade. Dentro desse viés, podemos dizer que temos uma poética que segue tentativas de representação de uma vontade literária que se amplia, multiplica-se, alinha-se ou contradiz-se como os próprios contornos da modernidade. Imerso nessa realidade caleidoscópica está o poeta português Fernando Pessoa que buscou através de sua obra responder sob diversas perspectivas essa realidade paradoxal, dentro dessas construções temos o clássico Ricardo Reis, com sua faceta racional de conceber a vida :

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Bento Teixeira: autor barroco?!


           
           
Quando pesquisamos sobre Bento Teixeira Pinto tanto nos manuais literários como nos sites destinados ao assunto encontramos quase que unanimemente a informação de que esse escritor Pernambucano do século XVI representa o marco do Barroco Brasileiro através da sua unitária obra Prosopopéia publicada em 1601, isso quando o nome do autor não é ignorado ou meramente citado sem muitas considerações acerca de sua produção literária. Essa obra Bento Teixeira constitui-se de um poemeto de 94 estrofes com 752 versos em oitava-rima de conteúdo encomiástico, ou seja, com a intenção de apresentar louvores a outrem. O objeto do gabo poético foi o então governador de Pernambuco Jorge Albuquerque Coelho. Objetivo esse demonstrado logo nos primeiros versos do poema e justificado pelo seu interesse de ser absolvido por práticas judias pela autoridade política da época, além da acusação de assassinato de sua esposa:
                     I
Cante poetas o pode r romano,
Submetendo nações ao jugo duro,
O Mantuano pinte o Rei Troiano,
Descendo a confusão do Reino escuro;
Que eu canto um Albuquerque soberano,
Da fé, da carta Pátria firme muro,
Cujo valor, e ser, que o Céu lhe inspira,
Pode estacar a lácia e grega lira.

            No entanto, mesmo sendo sua obra considerada percussora do Barroco brasileiro, ela destoa das características dessa literatura que foi produzida pelos escritores barrocos largamente conhecidos: Gregório de Matos e padre Antônio Vieira. Bento Teixeira na verdade se aproximando muito mais dos traços quinhentista do que o barroco, pois em sua construção poética utiliza como inspiração de forma e temática os Lusíadas de Camões. Na obra Camoniana o conteúdo é direcionado
 Dessa forma, ele compõe uma produção muito mais voltada ao humanismo quinhentista do que o conflito entre o antropocêntrico e teocêntrico do seiscentismo. Essa categorização acontece por conta das divisões temporais que são estabelecidas por estudiosos com fins didáticos para uma sistematização de obras e autores numa tentativa de melhor análise, porém os acontecimentos históricos e os estilos de época, nem sempre correspondem de forma tão categórica e linear como é apresentada pelos manuais, sendo complexo, por muitas vezes, delimitar linhas temporais de transição de um estilo literário para o outro. Com isso temos uma obra como de Bento Teixeira que foi publicada do século XVI (período demarcado como seiscentista), mas que possui no seu bojo os pilares de influência do século XV (quinhentismo).




sexta-feira, 13 de agosto de 2010

CRIME E CASTIGO EM O PRIMO BASÍLIO DE EÇA DE QUEIRÓS


INTRODUÇÃO

Esse texto se dispõe a fazer uma análise da personagem feminina Luísa no romance O primo Basílio (1878) de José Maria Eça de Queirós. Dentro das perspectivas que os estudos de gênero oferecem na atualidade junto a pesquisas de especialistas da literatura queirosiana.
Esse romance é considerado um sucesso de crítica quanto de público da produção do escritor realista. Nele temos um rico exemplar com vários personagens ficcionais que conseguem traduzir, de certa forma, uma sociedade com vícios patriarcalistas de um período. Percebemos nesses personagens femininos um leque que contempla representações de mulheres construídas no discurso literário, mas que não deixa de encontrar relação com a realidade do período e local citado no texto romanesco.