terça-feira, 9 de abril de 2019

A Ordem do Discurso - Michel Focault


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A Ordem do discurso de Michel Foucault, apresenta de forma sistemática os sentidos e desdobramentos dos discursos produzidos na sociedade, bem como os seus procedimentos de manutenção, seleção, controle e organização. O filósofo francês constrói em seu texto um quadro de procedimentos que funcionam como instrumento de poder a partir da repressão e, dessa forma, a garantia de um determinado discurso. 
    Foucault amplia a discussão apresentando os diversos procedimentos de repressão do discurso. No primeiro momento, o autor apresenta o princípio de exclusão e interdição, pois em nossa sociedade é sabido por todos que “não se tem o direito de dizer tudo, que não se pode falar tudo em qualquer circunstância, que qualquer um, enfim não pode falar qualquer coisa” (FOUCAULT, p.09), tais questões são sintetizadas pelo autor como: “tabu do objeto” “ritual de circunstância” e “direito privilegiado ou exclusivo”. De acordo com o autor, a política e sexualidade consistem em dois exemplos pertinentes de tabus (ou interdições) que apontam para o estreitamento entre o discurso, o desejo e o poder, ou seja, os discursos são pautados numa busca por esses dois últimos elementos.

Outro procedimento de exclusão apresentado pelo autor é a separação e a rejeição. A segregação funciona, assim, como um elemento de seletivo. O exemplo utilizado por Foucault para essa questão estar na oposição razão e loucura, na qual o discurso do louco deve ser rejeitado por não apresentar um alinhamento com os outros discursos validados na sociedade. Dessa forma, segrega-se o louco por falta de possibilidade de “autenticação” do seu discurso.
Foucault, ainda, acrescenta nesse procedimento de exclusão a oposição do verdadeiro e do falso, a partir desse princípio o autor apresenta como a busca da nossa sociedade por verdade, bem como os outros sistemas de exclusão; sustentam-se nas instituições legitimadas como detentoras do poder, que por sua vez, reforçam e garantem a permanecia de determinados discursos; ilustrados no texto como “o sistema dos livros, da edição, das bibliotecas, como as sociedades de sábios outrora, os laboratórios hoje” (FOUCAULT, p.17).
Além desses procedimentos de controle e delimitação do discurso, o autor continua sua abordagem afirmando que existem vários outros que funcionam internamente; dentre eles estão, o que ele nomeia de comentário (narrativas maiores que se contam se repetem e se fazem variar), a função autor e a organização das disciplinas. Em síntese, podemos dizer que tais procedimentos funcionam como mecanismos de classificação, de ordenação de distribuição, mas, sobretudo de controle da produção de discurso numa constante retomada das regras.
Para a produção de discursos de valia na sociedade, Foucault, destaca que são necessárias condições para que os indivíduos os formulem. Trata-se, portanto, de determinar pressupostos de seu funcionamento, que impõe aos sujeitos regras e, consequentemente, uma seleção dos mesmos, isto é, nas palavras do autor: “ninguém entrará na ordem do discurso se não satisfazer a certas exigências ou se não for, de início, qualificado para fazê-lo” (FOUCAULT, p.37).



REFERÊNCIA

FOUCAULT, M. A ordem do Discurso. São Paulo: Edições Loyola, 2011

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